A VIDA DO POLICIAL BRASILEIRO.
Procuradora de Justiça Soraya Taveira Gaya do Estado do Rio de Janeiro.
A vida de cada Policial sofre alterações de acordo com as diversas situações que se vêem envolvidos nos Países que atuam, bem como com o passar do tempo, ou seja, determinada época. É evidente que o Policial não pode ser equiparado ao cidadão comum, isso por questões várias. Um estudo feito pelo Oficial da Policia Militar do Paraná João Cavalim de Lima, na literatura técnica internacional sobre Polícia revelou as principais características que distinguem o homem policial do homem comum, fazendo com que tenha conseqüências tanto na sua estrutura emocional, quanto familiar e profissional, necessitando de acompanhamento especializado. São elas: Visão que a Sociedade tem deles; mudança de hábitos do Policial em conseqüência de sua função; estrutura da Instituição que os vê como maquinas que não podem falhar; horários de trabalho anormais; o espírito de corpo; a tensão de estouro; exigência de controle de emoções; local de trabalho de risco e composto de pessoas que atuam à margem da lei. Deve ser destacado que a população trata o policial de forma respeitosa e ao mesmo tempo temida, ainda que ele esteja fora de suas funções, exigindo dele sempre uma atitude, começando aí as dificuldades de convivência comum. As pessoas não conseguem separar o ser humano da condição de policial. Este por sua vez, ainda que de folga, não consegue deixar de atuar, tenta resolver os problemas quando a maioria se omite, mesmo correndo riscos. O Policial acaba vivendo num mundo à parte, com efeitos psicológicos negativos, entre os quais a agressividade. Os seus horários de trabalho são atípicos, o que faz com que não possa acompanhar o desenvolvimento normal de sua família, além da tensão profissional, o que leva muitas vezes à discórdia e incompreensão familiar, com índice grande de separações. É inegável que o trabalho do Policial é extremamente estressante, o colocando em situações diversas e antagônicas em questão de minutos ou segundos, já que, tem que raciocinar rápido indo desde a calma absoluta até a mais grave agressão, tudo de acordo com o desenrolar de seu trabalho no dia-a-dia. O espírito de corpo, de camaradagem entre os colegas é necessário, o Policial não é um cidadão comum e passa a ser um constante alvo do crime, precisa do apoio dos companheiros até para que possa sentir um pouco de segurança. O lidar com um mundo de crimes, deixa o Policial um tanto cético com tudo, pois está em contato com mentira, maldade, além dos mais hediondos crimes. Ele vive desconfiado, mudando sempre seus hábitos, sem contar que a maioria tem que residir em locais onde é grande o índice de criminalidade, tendo que esconder de todos a sua condição de policial. A facilidade de contato com substancias que causam dependência química faz com seja grande o numero de policiais dependentes de drogas diversas. Por outro lado, a Instituição exige muito do Policial, seus sentimentos, seu sacrifício ou problemas não interessam, ele não pode ter falhas ou erros, quaisquer que sejam. Dessa forma, ele sofre pressão interna e externa, pois a Sociedade lhe cobra outro tanto. O Policial está sujeito à tensão de estouro, indo desde a calma absoluta até uma situação de alta tensão, o que lhe causa transtornos psíquicos e físicos. O seu trabalho exige que esteja sempre alerta, pois a atuação de manutenção da ordem é reativa. Em suma, levando em consideração o perfil do Policial de hoje, chega-se a conclusão do necessário e constante acompanhamento psicológico diferenciado para essa classe de profissionais, com condições dignas de trabalho, moradia e saúde, caso contrário só tende a aumentar o numero de baixas, de suicídios, o uso de álcool e drogas afins, as doenças psíquicas, tudo acompanhado de desarmonia familiar e grandes prejuízos para a Sociedade que passa a contar com mão-de-obra cada vez mais desqualificada e despreparada.
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