CRIANÇA NÃO É OBJETO.
Procuradora de Justiça Soraya Taveira Gaya.
A imprensa noticiou um grave problema que vem acontecendo com as crianças que são abandonadas por seus pais consangüíneos e posteriormente quando adotadas, são mais uma vez abandonadas por seus supostos pais adotivos. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro está entrando na Justiça com ações contra esses pais adotivos para haver deles uma indenização para os abandonados. Tem caso de abandono após dois anos de convívio dos pais adotivos com a criança, quando esta já vivencia e acredita na sua nova vida. Os “pais adotivos” devolvem a criança como se fosse um objeto que não se quer mais e alegam falta de adaptação da criança com o convívio familiar. Adoção é mais do que um ato de amor, é principalmente de respeito à dignidade alheia. A criança adotada é um ser humano que tem expectativas, desejos, sonhos, ideais e sentimentos como qualquer um de nós, apenas ainda não tem sua personalidade formada, necessitando de mais amor e compreensão, além de orientação adequada. Não é a criança que tem que adaptar a nós e sim nós a elas, afinal, não é isso que acontece quando temos filhos biológicos? Não deixamos de lado o divertimento, as viagens, os encontros com os amigos e os excessos para viver em função do filho que acaba de nascer? Não é isso que acontece quando trazemos aquele animalzinho novo de estimação para casa, quando ele muda parte de nossos hábitos e acabamos nos acostumando com os miados, latidos e cacarejos? É exatamente assim que se comporta uma pessoa normal, já aqueles que possuem desvios de personalidade e caráter, devem mesmo responder por seus atos indignos e perversos que só maculam a natureza humana.
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