O BULLYING AO EXTREMO.
Procuradora de Justiça Soraya Taveira Gaya.
Ninguém imaginaria que no Brasil pudesse haver uma resposta tão grave a mais um caso de Bullying, que não passou despercebido, mas que ninguém tomou qualquer atitude para reintegrar o jovem aluno ao grupo que o hostilizava. É muito comum entre crianças e adolescentes – que estão com suas personalidades em formação – rejeitar colegas que lhe pareçam diferentes. O Bullying nunca foi novidade, ele sempre existiu em todas as Nações, em todos os tempos e locais: Escolas, Faculdades, Trabalho, Instituições Religiosas, Clubes e etc., onde tem aglomerado de seres humanos tem Bullying, e terá sempre a não ser que Políticas Públicas Sociais de consciência e respeito ao diferente sejam colocadas em prática efetiva. É inconcebível que num País rico como o nosso ainda exista racismo, ainda exista homofobia e Bullying. Não é possível que o lamentável episódio envolvendo uma antiga vitima de Bullying, que corroeu essa magoa durante anos, e matou 12 pessoas inocentes dentro de sua ex-escola, não sirva para que as pessoas abram os olhos para a gravidade do problema que é de todos nós. O fato de não termos filhos vítimas ou autores de Bullying não nos exclui dessa responsabilidade, pois quantas vezes ninguém toma qualquer atitude quando vê na rua briga de estudantes ou quando assiste, inerte, uma chacota que o próprio filho faz de outra criança? É certo que todos devem colaborar. Por exemplo, na família a educação deve ser consistente no que toca ao respeito por tudo que é diferente, principalmente pessoas, então os Pais não devem nunca apoiar qualquer gracejo do filho, ainda que pareça inócuo dirigido a obesos, gays, deficientes físicos, pessoas oriundas de outras regiões ou Países e etc., ainda que essas pessoas não tomem conhecimento desse gracejo, a atitude do pai em cortar pela raiz esse tipo de comportamento nocivo só vai tornar o filho mais digno perante a Sociedade em que vive. Nas Escolas, onde sempre temos a sensação e confiança de que nossos filhos estão bem, deve haver uma revisão de conceitos e ações. Não é possível que as orientadoras, professoras, psicólogas, diretoras, zeladores ou quem quer que seja não perceba que alunos estão sofrendo ofensas morais, psicológicas e até físicas. Parece ser uma questão cultural aceita pela maioria – como os lamentáveis trotes das Universidades – onde pensam que tais atitudes dos colegas não passam de adaptação e logo vai cessar quando a vitima das ofensas aderir aos conceitos da maioria, deixando de ser ela mesma. Então o pensamento é esse? As Escolas não conseguem fazer com que o diferente seja aceito e reintegrado com a habilidade que só os educadores têm, mas preferem ignorar a situação e apostar que nada nunca vai acontecer. O comportamento das pessoas tem que mudar não pela força bruta como quis o infeliz assassino citado acima, mas sim pelo respeito que todos devemos ter por nossos semelhantes, respeito esse garantido pela Constituição Federal e sem qualquer efetividade prática.
10/4/2011 12:45
Soraya, concordo plenamente com voce quando fala da atitude dos pais, que devem cortar pela raiz esse tipo de comportamento nocivo. Agora, me surpreendo muito com o fato dos profissionais nas escolas não perceberem isso. É simples questão de foco, de observação.Felizmente já temos casos de condenação de escolas como o Colégio N.S. da Piedade, no Rio, recentemente. A 13ª Câmara Cível do TJ considerou que o dano moral à uma menina vítima de Bullying ficou comprovado e que a responsabilidade é da escola, pois, na ausência dos pais, a instituição tem o dever de manter a integridade física e psíquica de seus alunos.
ResponderExcluirUm abraço e parabéns pelo Blog.
Ronaldo Miguez.
Obrigada Ronaldo por sua visita e seus judiciosos comentários. Creio que os Advogados também podem colaborar para mudar esse quadro interpondo Ações de Indenização em casos de Bullying, pois as pessoas só tendem a mudar comportamentos quando são tocadas financeiramente.
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