EXTORSÃO POR TELEFONE.
Soraya Taveira Gaya, Procuradora de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro.
Embora o golpe seja antigo e com ampla divulgação na mídia, muitas pessoas ainda se deixam levar pela emoção e caem nele. Embora grande o número de lesados, apenas uma pequena parcela deles acaba levando o fato ao conhecimento da Autoridade Policial. O aumento dessa modalidade de delito acontece pela facilidade de sua aplicação, pelo pouquíssimo risco para quem o aplica, pelo baixo custo e pela probabilidade de sucesso. Costuma funcionar assim: um elemento (ou uma quadrilha) faz um levantamento prévio dos dados de uma família: nome de seus componentes, dados pessoais (principalmente números de telefones comerciais e/ou celulares), características físicas principais e outros dados (onde trabalha, onde estuda, locais que frequenta etc). Quanto maior for o número de informações que tiverem, maior será a probabilidade de sucesso no momento de aplicar o golpe. De posse desses dados, o bandido faz contato com um dos membros da família (normalmente a mãe ou o pai) e informa que está com um dos outros membros (normalmente um filho) seqüestrado, passando a usar os dados previamente levantados como forma de dar credibilidade à conversa. Dependendo da reação de quem está sendo extorquido, poderá variar o tom da conversa: vai de uma conversa amigável até a ameaças de extrema violência (tortura e até mesmo morte do suposto “seqüestrado”). O objetivo é um só: fazer com que a vítima pague (normalmente é solicitado um depósito bancário ou crédito para telefone pré-pago) um valor pela libertação do “seqüestrado”. Para o sucesso da operação, é imprescindível aos bandidos: manter a vítima em contato permanente, não permitindo que ela desligue o telefone; quando possível, manter o “seqüestrado”, incomunicável: algum outro membro da quadrilha mantém contato simultâneo com ele, ou ele, de fato, está mesmo incomunicável por puro acaso. A pessoa, emocionalmente abalada, e acreditando que um ente querido está sendo vitima de um crime acaba por ceder às imposições. Uma medida muito simples pode diminuir o risco de se envolver num crime dessa natureza: evitar atender ligações a cobrar e sempre que isso acontecer estar com o espírito preparado para ser firme e desligar o telefone na hora, ou quando ouvir encenação de choro com voz feminina ou masculina chamando “mamãe” ou “papai”, diga com segurança que é um trote, pois não tem filhos, com certeza a pessoa não irá insistir com as chamadas, pois terá percebido que nada adiantará. Após isso, se surgir alguma ponta de dúvida a respeito da veracidade da ligação, busque localizar o parente citado. Lembre-se sempre que o sucesso do golpe conta apenas com o emocional das vitimas, assim, é fundamental manter a calma sempre que atender ao telefone, principalmente de madrugada, não prolongando qualquer conversa, pois a maior defesa do lesado é exatamente a sua tranquilidade. É importante comunicar o fato à Polícia, pois possivelmente já existe Inquérito instaurado para apurar outros delitos do gênero naquela localidade e suas informações podem ajudar a chegar aos autores com efetiva punição.
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